Mergulho em águas rasas pode causar tetraplegia e está entre as principais causas de traumas na coluna no verão, alerta a Clínica da Coluna Florianópolis

Mergulho em águas rasas pode causar tetraplegia e está entre as principais causas de traumas na coluna no verão, alerta a Clínica da Coluna Florianópolis

 

Um hábito recorrente em momentos de lazer, especialmente em regiões litorâneas e em períodos de calor fora de época, como o veranico, tem gerado preocupação entre especialistas: o mergulho em águas rasas. A prática, muitas vezes realizada sem a avaliação da profundidade ou das condições do local, está entre as principais causas de traumas na coluna e pode resultar em sequelas graves e permanentes.

Dados da Sociedade Brasileira de Coluna (SBC) apontam que o mergulho em água rasa é a quarta maior causa de lesões na coluna no Brasil, passando para a segunda posição durante o verão, atrás apenas dos acidentes automobilísticos. Já o Boletim 2025 da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa) registra que, somente em 2023, foram contabilizadas 609 internações hospitalares por esse tipo de trauma, além de 33 mortes. A maior parte das vítimas está na faixa etária entre 15 e 44 anos, representando 76% dos casos, sendo 95% do sexo masculino.

O mecanismo do trauma é direto e frequentemente subestimado. Ao mergulhar de cabeça em locais rasos ou desconhecidos, o impacto contra o fundo pode causar fraturas ou deslocamentos na coluna cervical, estrutura responsável por proteger a medula espinhal. Quando há comprometimento dessa região, o paciente pode evoluir com perda total dos movimentos e da sensibilidade do pescoço para baixo, quadro conhecido como tetraplegia.

De acordo com o ortopedista especialista em coluna, Dr. Diogo Rath Fingerl Barbosa (CRM/SC 9510 - RQE 6184), esse tipo de ocorrência tem sido cada vez mais observado em atendimentos de urgência. “São lesões graves, que acontecem de forma repentina, muitas vezes em contextos recreativos. A coluna cervical protege a medula, e quando há uma fratura ou deslocamento, essa proteção é perdida. O dano neurológico pode ser severo e permanente, com impacto direto na autonomia do paciente”, explica.

Além das limitações motoras, os traumas na coluna podem desencadear uma série de complicações secundárias, como dificuldades respiratórias, alterações urinárias e intestinais, além de impactos psicológicos significativos. Trata-se de uma condição que exige acompanhamento contínuo e que repercute não apenas na vida do paciente, mas também na dinâmica familiar e no sistema de saúde.

Embora o aumento desses casos esteja historicamente associado ao verão, especialistas alertam que a incidência se mantém elevada em períodos de calor prolongado, comuns em regiões como Florianópolis. O comportamento de risco, aliado à falsa sensação de segurança em ambientes conhecidos, contribui para a manutenção desses acidentes ao longo do ano.

A prevenção é considerada a principal forma de evitar esse tipo de trauma. Recomenda-se não mergulhar de cabeça em locais desconhecidos, verificar sempre a profundidade da água, respeitar sinalizações de segurança e orientar crianças e jovens sobre os riscos envolvidos.

Diante de um cenário em que grande parte desses acidentes poderia ser evitada, a informação e a conscientização seguem como ferramentas essenciais para preservar a saúde e evitar consequências irreversíveis.



Autor(a): Rosiley Souza



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